Agora, vamos falar sobre o grande vilão da história. Vamos falar do Cartão de Crédito. Uma facilidade que chegou para acabar com o sossego dos gastadores compulsivos. Estar em um shopping munido de um cartão de crédito representa uma verdadeira arma para muitos e, principalmente, para um expressivo contingente de mulheres.
Esse pequeno cartão de plástico pode levar uma pessoa para o buraco em seis meses. Você, que está lendo este post se estiver com problemas financeiros, responda com sinceridade: como está a fatura do seu cartão?
O pagamento está em dia? Está bem, você pagou o valor integral da fatura ou apenas o mínimo? Sei como é. Você sabe o quanto eles cobram de juros? Não tem ideia, não é? Pois bem, os juros do cartão de crédito são, em média, de 12% am. Não achou muito?
Vou tentar dar um exemplo: vamos imaginar que você foi ao shopping, comprou umas roupinhas para você, gastando R$600,00 e pagou com o cartão de crédito. Vamos considerar também que seu cartão esteja zerado.
Pois bem, no mês seguinte chega à fatura e, como você está sem dinheiro, paga só o mínimo, que é de 15% para compras nacionais, ou seja, R$90,00. No mês seguinte, você vai receber a nova fatura, agora com o valor de R$571,00 (considerando que você não efetuou nenhuma outra compra no período). E, como você ainda está sem dinheiro, resolve pagar novamente apenas o mínimo que agora é de R$85,00. Mais um mês se passa e a nova fatura vem com o valor de R$543,00.
Ainda com as finanças comprometidas, você paga apenas o mínimo, que dessa vez é de R$81,00. No mês seguinte, chega nova fatura, agora com valor de R$517,00. Para você a situação até que está cômoda. Afinal, comprou belas roupas no valor de R$600,00, roupas estas que já não estão tão novinhas depois de passados quatro meses.
Você até sabe que está pagando juros, mas vai lá novamente e paga o mínimo que é de R$77,00. Chega o próximo mês e, ainda sem dinheiro, recebe a nova fatura de R$492,00. Você olha, percebe que é um absurdo, e mais uma vez paga o mínimo, que é de R$73,00. E no próximo mês receberá uma fatura de R$ 418,36.
Agora, vamos refazer nossa conta. R$90,00 + R$85,00 + R$81,00 + R$77,00 + R$73,00 = R$406,00 + 418,36 (saldo devedor). Aquelas roupinhas estão custando “apenas” R$824,36. Isso, se no mês seguinte você quitar a fatura integralmente, pois, caso contrário, esse valor tende a aumentar cada vez mais, sem contar o fato de que, caso as roupas tivessem sido compradas à vista, provavelmente você ganharia um desconto de 5 a 10%.
Se você fizer o cálculo para saber a diferença de preço vai chegar a seguinte conclusão: em cinco meses você está gastando 37% a mais sobre o valor inicial. Volto a dizer, isso caso você pague o restante de uma única vez.
Na verdade, os juros mais altos do mercado são os dos cartões de crédito. É um verdadeiro assalto. Outro detalhe importante: estamos considerando que você tenha feito apenas uma única compra no cartão, o que é difícil, pois grande parte das pessoas com dividas no cartão fazem novas compras de combustível, presentes, farmácia, restaurantes, etc.
Enfim, você acaba pagando esses juros sobre todas as suas despesas. Também estou considerando que você pague o mínimo no dia do vencimento, porque caso atrase o pagamento ainda virão multas e taxas pelo atraso. Deu para notar que é um absurdo você perder 37% em cinco meses?
Não podemos esquecer da anuidade. Seja sincero: quantos cartões você tem? Caso tenha só um, ótimo. Mas, caso tenha mais de um, eu pergunto? Para que? Você não recebe apenas uma vez por mês? Não vá dizer que aplica o dinheiro, porque o que você ganha é irrisório. Essa prática foi muito utilizada quando tínhamos inflação de 80% am.
Hoje, isso não existe mais. O mês tem 30 dias e, independentemente da data do pagamento, você terá que retirar do seu rendimento daquele mês. E, com mais de um cartão você vai apenas gerar mais anuidades para pagar. Inclusive, o cartão de crédito instiga a pessoa a gastar. Por mais que você não queira, ele acaba facilitando sua vida.
Cartão de crédito é bom quando se tem dinheiro. Sei que você vai argumentar que não pode quebrar o cartão porque ele é utilizado para fazer as compras do mês, abastecer o carro, etc. Em princípio você tem razão, não quebre o cartão. Mas, para sair dessa situação, você vai ter que mudar todos os seus hábitos e, para tanto, acredito que você está consciente que terá que cortas despesas. Sendo assim, o melhor a fazer é ser firme em suas decisões.
O que você pode e deve fazer é utilizar o cartão apenas para as necessidades fundamentais para a manutenção de sua família ou de sua condição de trabalho, como combustível para trabalhar, compras de alimentos, etc. O restante você vai ter que cortar, pelo menos nesse momento em que você pretende virar o jogo.
Cortando drasticamente todas as despesas você vai notar que a fatura vai diminuir e, aos poucos, conseguirá ir pagando mais que o mínimo. E com isso, os juros também vão diminuir, de modo que, quando você conseguir pagar a fatura integral, aí sim, terá que ter o dobro de cuidados para não extrapolar novamente.
Sei que é duro, precisamos de roupas, temos festas para ir, é bom jantar fora, comprar livros, ir a um show, dar um bom presente. Porém, muito melhor que tudo isso é poder deitar a cabeça no travesseiro e dormir em paz.
É claro que todos nós queremos o melhor e o merecemos. Afinal, trabalhamos tanto para que? Quero apenas que você entenda que grande parte da sua receita escoa pelo ralo por causa dos juros, e é fundamental que você interrompa esse processo para poder acertar sua situação. Quando isso acontecer você vai notar que seu dinheiro vai começar a aparecer.
Outro detalhe importante é o seguinte: você tem que aprender a gastar apenas o que tem. Se o dinheiro não está dando, vá ganhar mais, procure outro emprego, faça um bico. Mas, ficar gastando o que não tem vai apenas fazer com que você perca mais ainda seu poder de compra.
Bem, até agora falamos do sujeito que está com divida no cartão de crédito, porém vem pagando o mínimo quando recebe a fatura mensal. Agora, vamos falar do sujeito que está numa situação um pouco pior, porque não está pagando a fatura. Nem o mínimo ele consegue quitar, ou por que perdeu o emprego ou por que teve algum imprevisto.
No seu caso, tudo dependerá de como está à situação. Se o seu nome estiver limpo, você tem a opção de ligar para administradora e tentar renegociar a dívida. Pedir um parcelamento diferenciado e pleitear a utilização do cartão mesmo com o parcelamento. É claro que ao tentar fazer isso vai ter que ficar horas plantado no telefone ouvindo aquele disque 1 para isso, disque 2 para aquilo, “sua ligação é muito importante para nós”, “Aguarde mais um minuto” enfim, o caos.
Os juros praticados serão menores do que os que você vem pagando. É uma alternativa que você tem. Entretanto, caso esteja totalmente endividado, com seu nome sujo, não tenha mais talão de cheques, enfim, não tenha muito que fazer, você pode optar por não pagar e, provavelmente em no máximo 60 a 120 dias, a administradora estará entrando em contado propondo um acordo. (Dependendo do valor)
O importante é que você não aceite de imediato, porque na primeira oferta as taxas são mais altas. De uma maneira ou de outra, por incrível que possa parecer, nesse momento é você quem tem a faca e o queijo na mão. Seu nome já está sujo, você não tem crédito na praça, esta devendo para todo mundo. Aí, caso seu salário não caia na conta que está amarrada ao cartão, e caso não tenha fiador e nem garantias, eles nada poderão fazer no curto prazo. E, baseado nisso, quem vai dar as cartas é você.
Chore, brigue por uma taxa de no máximo 2,5 a 3% am, com parcelas fixas e que se encaixem dentro do seu orçamento. Caso possa pagar apenas R$100,00 mensais, brigue por esse valor, desde que seu saldo não seja infinitamente maior que isso, porque nesse caso eles acabarão não aceitando e entrarão como uma ação de execução.
O segredo é não abusar, seja sincero, mostre que quer pagar, mas só pode dispor de 5 ou 10% da sua receita mensal. Tenho certeza que vão aceitar. Mas lembre-se: antes de qualquer coisa consulte um advogado que vai orientá-lo para, juntos, chegarem a uma solução.
Quando falo em alternativas, falo de modo genérico, já que cada caso é um caso. Não quero que você faça um mal negócio. Pense, reflita e tome a decisão que lhe for mais favorável. Com a crise que estamos vivendo, uma boa saída tem sido os acordos. A justiça brasileira é lenta e, muitas vezes, o devedor muda de endereço e não é mais localizado. Ou quando é encontrado, não tem imóvel nem veículo em seu nome, só restando à administradora penhorar móveis velhos, no que, é lógico, ela não tem qualquer interesse.
O importante é você ter calma, pois todos nós estamos sujeitos a enfrentar problemas. Não adianta não dormir, fugir, descontar na mulher e nos filhos. A melhor coisa a ser feita quando enfrentar problemas financeiros é você ter calma e acertar o orçamento, cortar despesas.
Aos poucos, você vai notar que o dinheiro começa a aparecer. Dessa forma, você vai pagando o que deve parceladamente, com valores baixos e que se encaixem na sobra das suas receitas.
Aos poucos você limpa seu nome, para no final tudo acabar bem. Você vai ver. O importante é ter em mente que o cartão de crédito deve ser utilizado apenas quando você tem certeza que terá o dinheiro integral para pagar a fatura em dia. Do contrário, você só terá problemas e gastará mais dinheiro com os juros.
Caso você seja uma pessoa compulsiva em gastar, não consegue sair de casa sem comprar alguma coisa, tenha o dobro ou o triplo de cuidados. Se possível, quebre seu cartão, porque uma linha de crédito como essa pode sempre levá-lo a ter problemas financeiros. Na pior das hipóteses, evite sair de casa com ele, só o utilize em caso de extrema necessidade.
Lembre-se que você será bem sucedido a partir do momento em que decidir ser bem sucedido. Reflita Brasil.
Fábio Henrique
Consultor Financeiro e Psicólogo Clínico, autor dos livros "Tire sua Empresa das Trevas" e "Juro, Nunca Mais!"
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